ETFs de países em Nova York: por que podem exagerar enquanto o mercado de origem dorme
Um estudo com ETFs de países da Ásia e da Europa mostra que, depois que o mercado de origem fecha, eles seguem mais o S&P 500 do que as próprias ações, e parte desse movimento parece exagero.
A pergunta
Um ETF de país listado em Nova York carrega ações de outro país, então o seu preço deveria acompanhar essas ações. Mas o que acontece quando o mercado de origem está fechado e só Nova York está negociando? O ETF continua se mexendo e precisa tirar a sua referência de algum lugar.
O que a pesquisa encontrou
Levy e Lieberman (2013) estudaram ETFs iShares de mercados da Ásia e da Europa com preços intradiários de cerca de 2000 a 2010. Os ETFs europeus, cujos mercados de origem coincidem com as primeiras horas de Nova York, seguiram o valor das próprias carteiras enquanto a Europa estava aberta. Quando a Europa fechou, o S&P 500 passou a ser o principal motor.
Os ETFs asiáticos, cujos mercados ficam fechados durante todo o pregão americano, foram guiados principalmente pelo S&P 500 ao longo do dia.
Os autores compararam então a força com que o S&P 500 movia os ETFs durante o dia com a força com que movia os índices estrangeiros no dia seguinte. O efeito sobre os ETFs foi cerca de duas vezes maior, o que eles interpretam como exagero. Boa parte da diferença entre o preço do ETF e o valor da carteira foi corrigida na abertura seguinte em Nova York.
O Brasil não fez parte da amostra, e a B3 divide muito mais horas de pregão com Nova York do que Tóquio ou Frankfurt.
Para pensar na abertura do Ibovespa
Um preço não é uma previsão por si só. Um ETF negociado enquanto o mercado de origem está fechado reflete quanto os investidores americanos aceitam pagar naquele momento, o que em parte espelha o humor do mercado americano.
O horário decide qual sinal domina. Com os dois mercados abertos, a arbitragem mantém o ETF perto da carteira. Quando só um deles está aberto, essa ligação afrouxa, e são essas as horas em que o efeito mais pesa.
O exagero é um motivo de cautela, não uma regra. O estudo mediu um padrão médio de outros países ao longo de uma década. Se um ETF do Brasil se comporta da mesma forma numa noite qualquer é uma pergunta em aberto.
Referências
- Levy, A. & Lieberman, O. (2013). Overreaction of country ETFs to US market returns: Intraday vs. daily horizons and the role of synchronized trading. Journal of Banking & Finance, 37(5), 1412–1421.
Os resumos são escritos com nossas próprias palavras. Os estudos citados não avaliam nem endossam o Up or Down BR. Não é recomendação de investimento.
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