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Enquanto São Paulo dorme: o que a pesquisa diz sobre a transmissão entre mercados durante a noite

Dois estudos clássicos sobre Tóquio, Londres e Nova York mostram como o pregão de um mercado aparece na abertura do seguinte, e o que isso sugere para a abertura do Ibovespa.

Nota de pesquisa · · leitura de 4 min

A pergunta

Todo dia útil, a B3 fecha no fim da tarde e reabre na manhã seguinte. Nesse intervalo, o resto do mundo continua negociando: as bolsas da Ásia abrem e fecham, a Europa começa o dia e muitos contratos futuros globais são negociados quase 24 horas. Quando São Paulo abre, quanto dessa noite já está no preço?

Dois estudos clássicos fizeram a mesma pergunta para um par de mercados cujos horários quase não se sobrepõem: Tóquio e Nova York.

O que a pesquisa encontrou

Hamao, Masulis e Ng (1990) usaram preços diários de abertura e fechamento das bolsas de Tóquio, Londres e Nova York e perguntaram se as variações de preço e a volatilidade de um mercado passam para o próximo mercado a abrir. Nos anos anteriores ao crash de outubro de 1987, encontraram volatilidade passando de Nova York para Tóquio, de Londres para Tóquio e de Nova York para Londres, mas não nas direções opostas.

Lin, Engle e Ito (1994) foram além com dados intradiários. Dividiram o dia de cada mercado entre o pregão e o intervalo da noite e encontraram correlação entre o retorno do pregão de um mercado e o retorno noturno (do fechamento até a abertura seguinte) do outro. Em palavras simples: o que Nova York faz durante o seu dia aparece na abertura seguinte de Tóquio, e vice-versa.

Além desse movimento de abertura, encontraram pouca transmissão defasada nos retornos ou na volatilidade, o que sugere que a abertura seguinte absorve rapidamente a maior parte da notícia externa. As ligações também não eram fixas: nos dados deles, a resposta noturna de Tóquio ao pregão de Nova York deixou de ser significativa depois do crash de 1987.

Para pensar na abertura do Ibovespa

A abertura é onde a noite ganha preço. Se a notícia externa é absorvida principalmente na abertura seguinte, os primeiros minutos do pregão concentram boa parte do ajuste da noite. Por isso uma estimativa de abertura olha para a própria abertura, e não para o dia inteiro.

O horário importa. Tóquio e Nova York quase não se sobrepõem, o que deixa o canal noturno fácil de ver. O Brasil divide boa parte do pregão com Nova York, então a “noite” do Ibovespa é mais curta e preenchida principalmente pela Ásia, pela Europa e por mercados que funcionam quase 24 horas.

As relações mudam. Os dois estudos encontraram resultados que mudaram por volta de 1987. Uma ligação que valeu em um período pode enfraquecer em outro, por isso qualquer previsão baseada nessas ideias precisa ser comparada, dia após dia, com o que de fato aconteceu.

Referências

Os resumos são escritos com nossas próprias palavras. Os estudos citados não avaliam nem endossam o Up or Down BR. Não é recomendação de investimento.

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